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    Dose de radiação em exames odontológicos: quanto seu paciente realmente recebe

    Artigo

    Dose de radiação em exames odontológicos: quanto seu paciente realmente recebe

    Os números, a comparação com a radiação natural, e como responder à pergunta sem minimizar nem assustar.

    A pergunta chega em quase toda indicação de exame: isso faz mal? E a resposta que o paciente costuma receber, "é pouquinho, pode ficar tranquilo", não convence quem já está preocupado, porque não é informação, é tranquilização.

    Existe um jeito melhor de responder, que é dar o número e a referência de comparação.


    Os valores

    Uma revisão que compilou estudos de dose publicados entre 2010 e 2020 encontrou os seguintes valores médios de dose efetiva, com as faixas entre parênteses:

    ExameDose efetiva médiaFaixa registrada
    Intraoral (periapical ou interproximal)1,32 µSv0,60 a 2,56 µSv
    Panorâmica17,93 µSv3,47 a 75,00 µSv
    Tomografia de feixe cônico121,09 µSv17,10 a 392,20 µSv

    Em proporção: a intraoral corresponde a cerca de 1% da dose de uma tomografia, e a panorâmica a cerca de 15%.

    Repare na amplitude das faixas. A tomografia varia por um fator superior a vinte entre o menor e o maior valor registrado. A diferença entre protocolos do mesmo tipo de exame é maior que a diferença entre alguns tipos de exame. É por isso que protocolo escolhido caso a caso não é refinamento técnico, é redução de dose.

    Os valores de referência da Agência Internacional de Energia Atômica seguem a mesma ordem de grandeza: para tomografia de feixe cônico, medianas em torno de 50 µSv ou menos para volumes pequenos e médios, e cerca de 100 µSv para volumes grandes. A mesma fonte registra que as doses de exames intraorais e cefalométricos ficam usualmente abaixo de um dia de radiação natural de fundo.


    A referência que o paciente entende

    Número isolado não significa nada para quem não trabalha com dosimetria. A comparação que funciona é com a radiação natural.

    A revisão citada registra que uma pessoa recebe, em média, aproximadamente 3.110 µSv por ano de radiação natural. Usando esse valor como referência:

    • Uma intraoral equivale a algumas horas de radiação natural
    • Uma panorâmica equivale a cerca de dois dias
    • Uma tomografia equivale, aproximadamente, de uma a duas semanas, conforme o protocolo

    Este exame representa mais ou menos o que você recebe naturalmente em duas semanas de vida normal, e ele existe para evitar uma decisão tomada no escuro.


    Os dois dados que mudam a conduta

    Campo de visão. A mesma revisão encontrou que a dose efetiva de um campo grande, acima de 150 cm², foi cerca de 1,6 vez maior que a de um campo pequeno, abaixo de 50 cm². Limitar o campo à região de interesse é a medida isolada de maior impacto na dose.

    Idade do paciente. Fantomas infantis receberam aproximadamente 29% mais dose efetiva que os adultos nos mesmos exames. Crianças também têm maior sensibilidade à radiação ionizante e mais anos de vida à frente para expressão de efeito tardio.

    Somando os dois: a maior dose de tomografia registrada na revisão, com campo grande em criança, chegou a 392,2 µSv, o que corresponde a cerca de 13% da dose anual média de radiação natural.

    É um número que não justifica alarme, e justifica critério.


    O princípio que organiza tudo

    ALADA, evolução do antigo ALARA: exposição tão baixa quanto diagnosticamente aceitável.

    A palavra que carrega o conceito é "diagnosticamente". Reduzir dose ao ponto de a imagem não responder à pergunta clínica não é radioproteção, é exposição sem contrapartida. O objetivo não é a menor dose possível, é a menor dose que resolve.

    Na prática, três decisões concentram quase todo o ganho: indicar o exame apenas quando a informação muda a conduta, limitar o campo de visão à região de interesse, e ajustar o protocolo à tarefa diagnóstica em vez de usar configuração padrão para tudo.


    Perguntas frequentes

    Quanta radiação tem uma tomografia odontológica?

    Revisão de estudos publicados entre 2010 e 2020 encontrou dose efetiva média de aproximadamente 121 µSv para tomografia de feixe cônico, com faixa registrada de 17,10 a 392,20 µSv conforme equipamento, protocolo e campo de visão. Valores de referência internacionais indicam medianas em torno de 50 µSv ou menos para volumes pequenos e médios, e cerca de 100 µSv para volumes grandes.

    Radiografia odontológica faz mal?

    O risco de um exame indicado corretamente é baixo. Uma radiografia intraoral corresponde a aproximadamente 1,32 µSv em média, o equivalente a algumas horas de radiação natural de fundo. O que exige critério não é o exame isolado, e sim a indicação: exame sem pergunta clínica definida expõe o paciente a dose sem contrapartida diagnóstica.

    Quantas radiografias posso fazer por ano?

    Não existe um limite numérico fixo para paciente em exame diagnóstico. O critério é a indicação: cada exame precisa responder a uma pergunta clínica que muda a conduta. Diretrizes de seleção de pacientes recomendam intervalos ajustados ao risco individual, não protocolo fixo por calendário.

    Criança recebe mais radiação que adulto no mesmo exame?

    Sim. Estudos com fantomas registraram dose efetiva cerca de 29% maior em fantomas infantis que em adultos nos mesmos exames de tomografia. Somado à maior radiossensibilidade dos tecidos em desenvolvimento, isso reforça a indicação de campo reduzido e protocolo de dose ajustada em paciente pediátrico.

    Gestante pode fazer radiografia odontológica?

    A conduta deve ser individualizada e discutida com o médico responsável pelo pré-natal. Exames odontológicos concentram a exposição na região de cabeça e pescoço, distante do útero, e a dose direta ao feto é muito baixa. Ainda assim, a recomendação geral é adiar exames eletivos e realizar apenas os que alteram a conduta durante a gestação, com proteção adequada.

    Campo de visão grande aumenta a dose?

    Sim, de forma significativa. Revisão de dose encontrou dose efetiva cerca de 1,6 vez maior em campos acima de 150 cm² comparados a campos abaixo de 50 cm². Limitar o campo à região de interesse é a medida de maior impacto isolado na redução de dose.


    Dose menor começa na indicação

    O protocolo de menor dose é aquele definido a partir da pergunta clínica. Campo limitado à região de interesse, resolução compatível com a tarefa, sem configuração padrão aplicada a todo caso.

    Na Omega, o protocolo é definido caso a caso, a partir da indicação enviada pelo dentista.


    Referências

    1. Lee C et al. A Review of Doses for Dental Imaging in 2010-2020 and Development of a Web Dose Calculator. Radiology Research and Practice, 2021. PMC8767401.
    2. International Atomic Energy Agency. Radiation doses in dental radiology, FAQs for health professionals.
    3. American Dental Association e U.S. Food and Drug Administration. The Selection of Patients for Dental Radiographic Examinations.