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    Como solicitar tomografia odontológica e receber o exame certo

    Artigo

    Como solicitar tomografia odontológica e receber o exame certo

    A solicitação é o único momento em que você controla o que o exame vai conseguir mostrar.

    Existe uma etapa do fluxo de imagem que quase ninguém trata como técnica, e ela decide mais que todas as outras: o que está escrito no pedido.

    Uma solicitação que diz apenas "tomografia de mandíbula" transfere ao centro de imagem a decisão sobre campo de visão, resolução e extensão da leitura. Quem recebe esse pedido não sabe se o caso é implante em região de molar, se é suspeita de fratura em um dente específico, ou se é avaliação de terceiro molar próximo ao canal. Sem essa informação, o protocolo é escolhido por padrão.

    E protocolo escolhido por padrão é a origem da maior parte dos exames que chegam sem responder à pergunta.


    Por que a indicação clínica muda o exame

    Os parâmetros de aquisição não são universais. Eles derivam da tarefa diagnóstica.

    O campo de visão precisa cobrir a região de interesse e nada além dela, porque campo maior significa mais dose e, em campos acima de 150 cm², dose efetiva cerca de 1,6 vez maior que em campos pequenos.

    A resolução também depende da pergunta. Revisão sistemática sobre o tema indica, em linhas gerais:

    Tarefa diagnósticaVoxel indicado
    Doença periodontal, cárie secundária, fraturas, reabsorção externa e complicações endodônticas0,2 mm
    Fratura radicular com pino metálico intracanal e istmo anatômico0,1 mm
    Avaliação de implante0,3 a 0,4 mm

    Repare que implante, o caso mais frequente, é o que exige menos resolução. Se o centro de imagem não sabe qual é o caso, ele não tem como acertar essa escolha.


    O que uma boa solicitação precisa conter

    1. A pergunta clínica, em uma frase. Não a suspeita genérica, a pergunta. "Avaliar disponibilidade óssea e distância até o canal mandibular para implante em 36" é uma pergunta. "Avaliação de mandíbula" não é.

    2. A região exata. Dente ou dentes envolvidos, pela numeração. Região por quadrante quando for o caso.

    3. A hipótese diagnóstica ou o procedimento planejado. Muda o protocolo e muda a leitura. Suspeita de fratura radicular vertical pede resolução alta em campo pequeno. Planejamento de implante pede outra combinação.

    4. Informação sobre material metálico presente. Coroa metálica, pino intracanal, implante próximo, aparelho ortodôntico. Permite antecipar artefato e ajustar posicionamento e parâmetros.

    5. Restrições do paciente. Dificuldade de manter posição, ansiedade, limitação de abertura, gestação. Impacta a escolha entre protocolo mais longo com resolução alta e protocolo mais curto com menos risco de artefato de movimento.

    6. O que você precisa receber. Se o caso exige mensuração específica, cortes em determinada orientação, ou arquivo em formato compatível com o software de planejamento, isso precisa constar.


    Modelos por tipo de caso

    Planejamento de implante unitário

    Avaliar altura e espessura óssea disponível em região de [dente], e distância até [canal mandibular / assoalho do seio maxilar], para planejamento de implante. Solicito mensurações no laudo. Presença de [coroa metálica em dente vizinho, se houver].

    Terceiro molar com sinais de proximidade ao canal

    Avaliar relação tridimensional entre raízes do [dente] e canal mandibular, com sinais de proximidade observados em panorâmica. Definir posição do canal em relação às raízes, vestibular, lingual ou interradicular.

    Suspeita de fratura radicular vertical

    Investigar linha de fratura radicular em [dente], com [pino metálico intracanal / tratamento endodôntico prévio]. Solicito aquisição de alta resolução em campo limitado ao dente e vizinhos.

    Lesão periapical persistente

    Avaliar extensão tridimensional e relação com estruturas adjacentes de lesão periapical em [dente], persistente após tratamento endodôntico. Investigar canal acessório e anatomia radicular.

    Avaliação para levantamento de seio maxilar

    Avaliar altura óssea residual, espessura de mucosa sinusal, presença de septo e patência do óstio em região de [dentes], para planejamento de levantamento de seio maxilar.

    Cirurgia guiada

    Aquisição para planejamento de cirurgia guiada em região de [dentes]. Necessário arquivo DICOM para sobreposição com escaneamento intraoral.

    Formulário de solicitação de tomografia odontológica ao lado de radiografia panorâmica e tablet com reconstruções tomográficas


    O que verificar quando o exame chegar

    • O protocolo usado corresponde ao que o caso pedia?
    • Os parâmetros de aquisição estão registrados no laudo?
    • O laudo responde especificamente à pergunta que você escreveu?
    • Se você pediu mensuração, ela está lá?
    • Existe declaração de que o volume completo foi avaliado?
    • Há canal de contato para dúvida sobre o volume?

    Se o exame não respondeu à pergunta e a pergunta estava escrita no pedido, o problema não é seu. Se a pergunta não estava escrita, ele começou ali.


    Perguntas frequentes

    O que escrever na solicitação de tomografia odontológica?

    A pergunta clínica em uma frase, a região exata pela numeração dos dentes, a hipótese diagnóstica ou o procedimento planejado, informação sobre material metálico presente, restrições do paciente e o que você precisa receber, incluindo mensurações específicas quando o caso exigir.

    Por que o centro de imagem precisa saber a indicação clínica?

    Porque os parâmetros de aquisição derivam da tarefa diagnóstica. Campo de visão e tamanho de voxel adequados para planejamento de implante são diferentes dos adequados para investigar fratura radicular. Sem a indicação, o protocolo é definido por padrão, e protocolo padrão nem sempre responde à pergunta do caso.

    Posso pedir tomografia de toda a arcada por precaução?

    Não é a conduta recomendada. Campo de visão maior significa dose maior, com dose efetiva cerca de 1,6 vez superior em campos acima de 150 cm² comparados a campos abaixo de 50 cm². O princípio ALADA orienta usar o menor campo capaz de cobrir a região de interesse.

    Preciso especificar o tamanho de voxel na solicitação?

    Não é obrigatório, e em geral é melhor descrever a tarefa diagnóstica e deixar a definição técnica com o serviço de radiologia. O que importa é que a indicação esteja clara o suficiente para permitir essa escolha. Quando o caso tem exigência específica, como fratura radicular com pino metálico, vale registrar.

    O que fazer se o exame não respondeu à minha pergunta?

    Primeiro verifique se o volume adquirido comporta reprocessamento ou nova leitura, o que resolve sem nova exposição do paciente. Se o problema foi a aquisição, aí sim a repetição se justifica, com protocolo ajustado. Repetir com o mesmo protocolo tende a devolver o mesmo resultado.

    Tomografia para cirurgia guiada tem exigência diferente?

    Sim. Além dos parâmetros adequados ao caso, o arquivo DICOM precisa permitir sobreposição com o escaneamento intraoral. Artefato de movimento e artefato metálico comprometem essa sobreposição, e o plano herda o erro.


    O pedido bem escrito só funciona se alguém o ler

    Uma solicitação detalhada não muda nada em um serviço que não pergunta a indicação nem ajusta o protocolo a ela.

    Na Omega, a indicação clínica enviada pelo dentista define o protocolo de aquisição, e o laudo responde à pergunta que motivou o exame.


    Referências

    1. Syahraini et al. Field of view and voxel size considerations in cone-beam computed tomography: a systematic review. Odonto Dental Journal.
    2. Lee C et al. A Review of Doses for Dental Imaging in 2010-2020 and Development of a Web Dose Calculator. Radiology Research and Practice, 2021. PMC8767401.
    3. American Academy of Oral and Maxillofacial Radiology. Position paper: selection criteria for radiology in dental implantology, 2012.